domingo, 19 de julho de 2009

Mulher e fonte fundo do poço

Chaminé que fumega,
queimando a lenha que lhe restou.

Panela vazia,
cactos e palmas resistindo ao solo seco
que o tempo desgastou.

Tocaia entre idas e vindas, esperando a sua
vez de descer ao poço.

Alma vazia que aspira por um pouco de
água doce.

Ela desce o balde que desliza, amarrado por uma corda
presa à manivela da cisterna funda;

Na espera silênciosa, os ecos comunicam
a hora de puxar de volta o
objeto do desejo.

Era mais ou menos meio dia, quando
lhe veio ao encontro um profeta, que
se aproxima cuidadoso, para atenuar sua dor,
e lhe ofereçe, um rio de águas vivas
que nunca vai se secar,

Suas talhas se enchem e transbordam,
sua esperança é renovada,
e um novo horizonte se abre diante
de seu olhar tímido.

Encontro que se dá, marcado por Deus.

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