terça-feira, 27 de abril de 2010

Muriçoca

Cerelepe vestida de musselina ou de jeans turquesa,
aparece em busca do liquido leitoso,

vem de mansinho com um sapatinho de lãn,
zoar nos ouvidos de quem quer tirar um sono tranquilo
No escuro do quarto ou embaixo da mesa ela está.

Baila desdentada mais sabe morder,
sorridente, não se cansa de abusar,

aéreo invertebrado formado por cabeça tórax e abdomem,
exibe sua teima incansável em sulgar o que não lhe pertence
somente o repelente põe a muriçoca para correr.

Mais se não morrer, de fome ela não vai ficar,
e fica por ali mesmo enchendo o saco e o sapato
de tanto zoar.

Só não deixe dando sopa, vasos com água destampados,
senão ela vem de muda e mora no dengo e no tacho parado.

Muriçoca da dengue se mata na espora e no tato, higiene
fala auto, limpeza é fundamental, mantenha seu quintal,
longe de sujeira, é o dever de todo cidadão
e a muriçoca vai desaparecer sem você perceber.

Maresia

Tempos de outrora o mar ilibado estava,
impoluto, imponente.
Sua beleza impressiona agente.
Massa de água alimenta seres incomum, tocáveis.

O surfista desliza nas costas do mar aguado, onde suas
ondas jeitosa, empurram o menino que só quer brincar.
Sobre o manto que implode na incidência da luz, o vento
Sul sopra movimentando as águas forte, furta-cor.

O mar já não é mais o mesmo daquele tempo,
ameaçado está pelos esgotos e guetos da beira, enquanto
o aglomerado populacional petisca, os golfinhos e baleias já não
podem nadar em meio as borras por lá deixada.

No fundo do mar o ouriço tenta se defender,
no meio da poluição e na superfície o Jaó anuncia
que o mar esgarçado está.

O mar que salga também chora,
magoado vomita a sujeira deixada interiormente
pela modernidade.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Perfume Desejado

Entre os escombros da tradição, numa tarde de verão uma porta se abre
para o além.

Os raios de luz focam ,o rosto claro transluzente de um Homem que se permite
mostrar.

Assentado no chão batido de terra vermelha, ensina o caminho de
como se viver a verdadeira essência.

Sua voz mansa e suave se descobre nas asas do vento campestre,
despertando a atenção de muitos.

Mulher, marcada por vergões do desalento
envergonhada por aqueles que a excluía, recosta na ombreira da
porta estreita.

Que repleta derrama o perfume que trazia
entre os dedos num vaso de ceramica umidecido.

Voz do céu se faz ouvidor de um coração arrependido.
na sala acolhedora.

Enquanto ela se ergue
para uma nova escrita mais adiante.