Ouvindo o cicio do vento, reclinei sobre a rede esbranquiçada
de minha pequena varanda.
Com os olhos entreabertos contemplei, dois cavaleiros cavalgando
cedindo.
O mais forte tinha sobre os seus ombros largos, uma ovelha faminta,
o homem em busca do alimento para saciar a fome de quem berra.
Terra seca se secou sem sementes, o sol escaldante do sertão só deixou
os cactos e os espinheiros.
A ovelha cansada, desce pendurada pelos pés, a procura do nutriente,
boca aberta só encontra cascalho, a correnteza que por ali passou,
só deixou as pedras empoeiradas pelo tempo.
O jeito é retroceder mais nunca desistir, o homem confiante, deposita
novamente o cordeiro sobre os seus ombros, e só param junto de uma porteira
envelhecida, estupefatos por contemplar um campo verdejante.
A rede continua balançando, até que ouço um chamado. Senhora ô senhora!
Na direção da cancela caminho lentamente,
chegando, não encontro ninguém, a não ser o vento fazendo sua curva levando
as folhas secas que restaram.
Miragem, visão ou sonho? A esperança não pode morrer.
Quando Deus segura a chuva vem a seca, mais revela como saber viver.
Se para uma árvore cortada, basta um pouco de água para que seu broto
brote.
Eu porém continuarei esperando por melhores tempos...
domingo, 27 de junho de 2010
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