domingo, 27 de junho de 2010

Visão da varanda

Ouvindo o cicio do vento, reclinei sobre a rede esbranquiçada
de minha pequena varanda.

Com os olhos entreabertos contemplei, dois cavaleiros cavalgando
cedindo.

O mais forte tinha sobre os seus ombros largos, uma ovelha faminta,
o homem em busca do alimento para saciar a fome de quem berra.

Terra seca se secou sem sementes, o sol escaldante do sertão só deixou
os cactos e os espinheiros.

A ovelha cansada, desce pendurada pelos pés, a procura do nutriente,
boca aberta só encontra cascalho, a correnteza que por ali passou,
só deixou as pedras empoeiradas pelo tempo.

O jeito é retroceder mais nunca desistir, o homem confiante, deposita
novamente o cordeiro sobre os seus ombros, e só param junto de uma porteira
envelhecida, estupefatos por contemplar um campo verdejante.

A rede continua balançando, até que ouço um chamado. Senhora ô senhora!
Na direção da cancela caminho lentamente,
chegando, não encontro ninguém, a não ser o vento fazendo sua curva levando
as folhas secas que restaram.

Miragem, visão ou sonho? A esperança não pode morrer.
Quando Deus segura a chuva vem a seca, mais revela como saber viver.
Se para uma árvore cortada, basta um pouco de água para que seu broto
brote.
Eu porém continuarei esperando por melhores tempos...

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