quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Bicho-da-seda

Ovos de borboleta, semeados, são levados pelo vento
ao campo fértil e à cidade, onde os trilhos são de ferro
para trazer ao mundo um bicho minúsculo,
um presente da criação.

As lagartas, que nascem dos ovos de ouro, não se perdem,
mas sobem nas copas escassas, num impulso natural,
e em lugares inusitados, sobrevivem
ante as intempéries.

Na construção pela vida baba,
e guarda um fio, fino e brilhante, ante os olhos de quem vê.
Três a cinco dias são o suficiente para coser, alinhavar,
arrematar e finalizar, no tempo e na estação.

Transformada, sai do casulo, esplêndida
no seu modo de ser, com sua roupagem leve e macia
respirando o ar puro ou empoeirado do lugar de seu desejo,
expondo sua geração, quase extinta.

As amoreiras brancas e negras lhe esperam
todas as manhãs nos campos verdejante,
longe da poluição, com o alimento que vai lhe garantir
na pouca duração, força e disposição.

Espécie única, descoberta pela criatividade da costura,
sorri ante as verdades impenetráveis à razão.
Silenciosa, muda de forma, cor e fase.

Ovos e larvas, lagarta e bicho-da-seda,
viram borboletas no universo visível em tamanho e beleza,
devastado pelo homem racional.

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