terça-feira, 10 de novembro de 2009

Matuto Matreiro

Pés rachados, descalços, maltratados pelo Sol quente do sertão
conhece a seca de perto, assim como o bom tempo
quando está para chegar.

Ao olhar para as nuvens escuras quando se juntam em um só lugar,
se prepara para plantar a melhor semente, de milho e de feijão
fradinho que guardou dentro de uma quarta de farinha.

Com cheiro de fumaça, chapéu de palha e roupa desbotada
toma seu café preto e sai para a roça na hora exata.

Levando a inchada nas costas da experiência de quem sabe
o que fazer com o grão,
na outra mão, uma cabaça com água fresquinha tirada da fonte,
caminha em direção do lugar discernido.

Lábios ressecados, cantarola entre formigas e cobras,
afofando o coração da terra semeia, no espaço quadrado
da alegria e da razão.

Vendo seu broto crescer, espera na varanda da paciência
os primeiros frutos da colheita que vão para a mesa do grande centro,
"Sou matuto, sim sinhô! Com muito prazer,
na arte de conhecer e saber viver."

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